Minha mãe tinha um apelido carinhoso para mim: “Grande Sabichão”. No fundo ela foi a grande culpada disso, pois desde criança eu admirava a facilidade que ela tinha em discutir os mais variados assuntos e (no meu ponto de vista infantil) SABER sobre tudo. Quando cresci o suficiente, ela deixou de simplesmente me explicar as coisas e me mostrou o caminho: ela sabia estas coisas por que ela lia. E muito. Toda criança passa pela fase dos “porquês”, mas acho que eu nunca saí, e pra piorar ainda ficava pensando no “como”. Como se faz um origami? Como se arremessa uma faca? Como funciona um motor de carro? Como um semente vira uma árvore? Eu queria saber tudo sobre tudo, o que obviamente é impossível, mas felizmente na época eu não sabia.
Esta semana, durante uma aula, eu percebi: ao contrário de muitas pessoas que ingressam na Biologia, eu não quero mudar o mundo, eu quero saber. Eu tenho “curiosidade científica”, como disse o professor. Me aprofundando mais um pouco neste raciocínio, acho que eu poderia ter feito qualquer outra faculdade de exatas (Teologia não faria nem se considerasse fazer uma das humanas: sou muito crítico pra isso) que ajudasse a explicar o mundo. Física, geologia, mecânica, eletrônica, informática, todas elas me interessam, e eu acho que acabei escolhendo a Biologia por pura afinidade com bichinhos, sei lá.
Pena que hoje em dia se procuram especialistas, e eu sinceramente não sei o que vai ser da minha carreira. Neste mesma aula descobri que eu não sou o único que está cursando Biologia mas sonha em fazer outra coisa da vida que não seja a carreira acadêmica. Eu gostaria de ter um restaurante. Ou uma oficina de preparação de carros. Ou uma floricultura. Ou estudar o comportamento dos grandes felinos. Ou ser escritor. Bosta, acho que nasci na época errada. Eu deveria ter nascido na Renascença, aí eu poderia ser um polímata . E as mulheres eram mais interessantes.
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