Minha mãe tinha um apelido carinhoso para mim: “Grande Sabichão”. No fundo ela foi a grande culpada disso, pois desde criança eu admirava a facilidade que ela tinha em discutir os mais variados assuntos e (no meu ponto de vista infantil) SABER sobre tudo. Quando cresci o suficiente, ela deixou de simplesmente me explicar as coisas e me mostrou o caminho: ela sabia estas coisas por que ela lia. E muito. Toda criança passa pela fase dos “porquês”, mas acho que eu nunca saí, e pra piorar ainda ficava pensando no “como”. Como se faz um origami? Como se arremessa uma faca? Como funciona um motor de carro? Como um semente vira uma árvore? Eu queria saber tudo sobre tudo, o que obviamente é impossível, mas felizmente na época eu não sabia.
Esta semana, durante uma aula, eu percebi: ao contrário de muitas pessoas que ingressam na Biologia, eu não quero mudar o mundo, eu quero saber. Eu tenho “curiosidade científica”, como disse o professor. Me aprofundando mais um pouco neste raciocínio, acho que eu poderia ter feito qualquer outra faculdade de exatas (Teologia não faria nem se considerasse fazer uma das humanas: sou muito crítico pra isso) que ajudasse a explicar o mundo. Física, geologia, mecânica, eletrônica, informática, todas elas me interessam, e eu acho que acabei escolhendo a Biologia por pura afinidade com bichinhos, sei lá.
Pena que hoje em dia se procuram especialistas, e eu sinceramente não sei o que vai ser da minha carreira. Neste mesma aula descobri que eu não sou o único que está cursando Biologia mas sonha em fazer outra coisa da vida que não seja a carreira acadêmica. Eu gostaria de ter um restaurante. Ou uma oficina de preparação de carros. Ou uma floricultura. Ou estudar o comportamento dos grandes felinos. Ou ser escritor. Bosta, acho que nasci na época errada. Eu deveria ter nascido na Renascença, aí eu poderia ser um polímata . E as mulheres eram mais interessantes.

Se você olha Big Brother Brazil e GOSTA, feche a janela ou aba do navegador AGORA! Minha audiência é pequena mas é limpinha! (Se for a mãe do Felipe, não precisa. Hoje passa!)
Se você continuou lendo, parabéns. Como recompensa, eu não vou dizer aquilo tudo que você já sabe sobre isso: que é ridículo, zera o QI, não serve pra nada, as pessoas são escolhidas pra fazer intriguinha na casinha e depois vão mostrar a bunda em revista masculina e se tornam celebridades sem ter feito NADA que preste. Tá, eu acabei falando, azar. Mas voltando ao ponto: isso tudo nem me importa mais, o que REALMENTE me incomoda é o fato de que a mídia inteira fica se referindo aos anencéfalos que estão DENTRO da casa como Big Brothers (e Sisters)!!!

Eu explico:

George Orwell (pseudônimo de Eric Arthur Blair) escreveu um livro chamado 1984, e neste livro o mundo é uma distopia ( estou usando palavras difíceis hoje…), onde todos têm em casa uma teletela, que é como uma televisão, só que é bidirecional, ou seja, o governo pode ver dentro da casa das pessoas. Governo este personificado pela figura do Grande Irmão (em inglês, Big Brother).

Fim da explicação.

O gênio que criou esta futilidade se inspirou no livro para dar nome ao programa, pois as pessoas na casa têm seu dia-a-dia vigiado o tempo todo, assim como os personagens do livro. Até aí tudo bem, mas o Big Brother seríamos NÓS, que estamos vigiando, e não ELES que estão dentro da casa!
Uma simples leitura do livro resolveria isso, mas acho que é pedir demais. Com exceção de meia dúzia de gatos pingados, quando pergunto para as pessoas se elas sabem por quê o programa tem este nome, ninguém sabe. Mas isso não deveria me assustar, pois tirando Zíbia Gasparetto, Paulo Coelho e as variações de “O segredo”, brasileiro NÃO LÊ, e portanto brasileiro NÃO SABE que a frase que resume o livro é “Big Brother is watching”, ou seja, “O Grande Irmão está olhando”. Agora, depois de tudo isso, não parece uma obviedade sem tamanho QUEM é o Big Brother? Pra mim é, mas eu acho que meu nome deveria ser Winston Smith…

PS:Se você ainda não leu 1984, comece a reparar esta falha na sua formação lendo “A revolução dos bichos”, do mesmo autor. Mas já aviso de antemão, a ignorância é uma virtude.

Toda vez que eu quero comprar alguma coisa, a tragicomédia se repete. Eu sei que Shakespeare ja usou “Comédia dos Erros”, mas é o nome que sempre vêm na minha cabeça, então acho que vou chamar de “Os Vendedores de Repolho”. Qual o motivo deste nome? É que eu tenho a impressão que o treinamento para vender shruberries e repolho é o mesmo: nenhum. A única coisa que eles sabem é ficar de pé do seu lado esperando pra ver se você diz “tá bom, obrigado” ou “vou levar esse aqui”. Faça uma pergunta técnica e eles travam ou chamam alguém acima deles na cadeira alimentar que vai ler o manual na sua frente. Quer saber mais sobre algum produto? Vá pra internet, pesquise em forums pra ver quem já comprou ou fuce no site do fabricante, pois os vendedores (em sua maioria) não sabem NADA sobre os produtos que estão vendendo. O engraçado é que cada seção tem vendedores específicos, mas eu não entendo o motivo disso, pois claramente eles todos têm o mesmo tipo de conhecimento: nenhum.

Ontem MAIS UMA VEZ passei por uma situação destas. Minha Sony P-73 funciona, mas já está velhinha, tem tela pequena, captação de luz ruim, poucos recursos, etc etc etc. Rebeca deu uma olhada no Sony Style pra ver o que tem disponível atualmente, fuçou nos modelos, comparou e saímos de casa com uma idéia de quais modelos queríamos ver. Chegamos na Colombo e tinha uma boa variedade de modelos, mas de cara já não gostei: expliquei o que eu queria (câmera com ajuste manual, boa captação de luz, visor grande…) mas o vendedor simplesmente ignorou e me mostrou logo as tops de linha com uma bazilhão de megapixels, vídeo em FullHD e ainda disse que a câmera tinha “HD interno”…

Segundo momento WTF: as câmeras não podiam ser ligadas. Segundo o vendedor “elas funcionam com bateria, aí a gente tem que abrir pra carregar e perde a garantia…” Se alguém entendeu, me explica. Eles realmente esperam que eu gaste milhares de reais em uma câmera baseado na ficha técnica impressa em papel de pão e na “lábia” do vendedor? Ha!

Saí, irritado, e entrei na Fast Shop. Lá, as câmeras estão LIGADAS! Todas fora da garantia, mas pelo menos dava pra fuçar e ver elas funcionando. Infelizmente o nível de estupidez foi igualmente alto. Expliquei (de novo) o que eu queria e novamente entrou por um ouvido e saiu pelo outro, só que desta vez foi mais tragicômico. O diálogo foi mais ou menos assim:

-Eu quero uma câmera com recursos de ajuste manual, sem esta besteira de um monte de megapixels.

-Tem essa aqui, com ismaili châter (sic), tem o recurso de acompanhamento de bebê (juro que ela falou isso, mas na verdade era só um software embutido na máquina que separa as fotos em álbuns), grava vídeo e depois dá pra ver na TV…

-Eu quero ver os recursos de ajuste manual.

-Ah tá. Tem aqui ó: retrato, paisagem, retrato em pouca luz…

-Não não. Ajuste MA-NU-AL. Eu quero ajustar exposição, abertura de diafragma…essas coisas.

-(Pausa dramática) Não tem. Só modelos profissionais fazem isso.

-Como assim? Minha Sony velha faz isso!

-Ai, eu não sei se dá…Só um pouquinho que vou chamar o especialista das máquinas fotográficas

(Aparece o jumento com o uniforme da marca)

-Ah sim, a câmera tem ajuste manual sim. Aqui ó: retrato, paisagem, retrato em pouca luz…

-(espumando) Ajuste MA-NU-AL. Eu quero ajustar exposição, abertura de diafragma.

-Ah sim…aqui ó: (lendo os menus) foco, formato, ISO, resolução, acompnhamento do bebê…

-(quase pulando no pescoço)Tá, brigado. Tchau.

Agora me digam, seriamente: é tão difícil assim dar um mínimo de treinamento pra quem vai vender eletrônicos? Ou eu é que sou chato e saio do casa sabendo o que quero ao invés de comprar por impulso a câmera rosa com 98.3 megapixels em 24x no cartão?

Quando começo a me acostumar a sentir vergonha de ser brasileiro, sempre acontece alguma coisa que me faz lembrar o quão bunda é este povinho. Depois que o cardoso escreveu este texto sobre isso, mais especificamente sobre o caso Eloá, a Isabela Nardoni do vez, que por si só já era um caso João Hélio da vez (aposto que a maioria não lembra quem ele é), um texto meu ficaria meio redundante. Só me resta lembrar de uma camiseta que era vendida pela Casseta & Planeta (quando ainda eram uma revista e ainda tinham graça) que era uma bandeira do Brasil e no lugar do “Ordem e Progresso” tinha um singelo “Ê povinho bunda”.

Depois de esperar por várias semanas, finalmente eu assisti Trovão Tropical (Tropic Thunder). Não sei qual o motivo que levou a Paramount a adiar tanto a estréia deste filme em Porto Alegre e região, e nem os motivos que levaram o shopping de Canoas a tirar o filme de de cartaz depois de apenas UMA semana de exibição, mas enfim…presta o filme? Presta!

Só os trailers falsos antes do filme já valeriam o ingresso, mas o filme em si tem ótimos momentos. Robert Downey Jr. está ótimo, Ben Stiller não decepciona, Jack Black é Jack Black e Tom Cruise está simplesmente irreconhecível e HILÁRIO. Alguns clichês do gênero são explorados e muitos cenas clássicos de filmes de guerra ganham a sua citação/homenagem, mas a melhor parte é a tiração de sarro com a própria indústria cinematográfica. Atores de ação tentando fazer drama e falhando miseravelmente, atores dramáticos australianos se enchendo de prêmios com roteiros meticulosamente feitos pra criar polêmica, atores de comédia viciados em heroína fazendo 15 papéis de um mesmo filme, produtores inescrupulosos, filmes dentro do filme, diretores estreantes com megaproduções nas mãos e uma teoria relacionando filmes de retardado e Oscars. O que mais você quer?

Um coisa que me irritou foram algumas traduções. Por quê falos alados “Booty Sweat” virou “Energia”? Não podia ser só “Suor de Bunda”? O filme tem palavrões e violência suficientes pra garantir uma censura que proteja a fragile little mind das crianças, então pra quê usar uma tradução porca e puritana? O sobrenome do diretor (Cockburn) é um jogo de palavras, então que deixassem assim mesmo ao invés de mudar pra alguma coisa sem sentido: quem sabe inglês pega a piada e quem não sabe que vá se friccionar nos moluscos ostreóides!

Nota: 4 Galinhas Esféricas.

Valeu a pena esperar. Assista.

Sério, eu já vi coisa bizarra nestes meus 28 anos, mas ainda me surpreendo de vez em quando.

Green Porn é um série de vídeos “educativos”, escritos e encenados pela Isabella Rossellini, que mostra como é a vida sexual de alguns insetos. É interessante por fugir do clichê dos bichinhos fofinhos e cuti-cutis, mas o visual kitsch e cartunesco torna a coisa BEM bizarra. Especialmente no caso do caracol (snail).

Dica do João.